A guerra de preços da Shopee pode estar destruindo sua margem

Você procura um produto na Shopee e encontra cinco vendedores oferecendo praticamente a mesma coisa.

Um cobra R$ 59,90.

Outro, R$ 54,90.

Um terceiro aparece por R$ 49,90.

Qual deles chama mais atenção?

A resposta parece evidente.

O mais barato.

E é justamente essa lógica que leva muitos vendedores a uma guerra de preços.

Para tentar subir nas buscas, aumentar conversões ou ganhar avaliações, o vendedor reduz alguns reais.

O concorrente percebe.

Reduz também.

O primeiro vendedor responde.

E, quando percebe, todos estão vendendo mais barato, mas ninguém necessariamente está ganhando mais dinheiro.

A posição conquistada pode custar caro

Ganhar visibilidade é importante.

Mas existe uma diferença entre conquistar posição e conquistar um negócio saudável.

Imagine um produto vendido por R$ 100.

Depois de custo do produto, impostos, comissão, descontos, embalagem, logística, publicidade e outros custos envolvidos na operação, sobram R$ 15.

Se o vendedor reduz o preço para R$ 90 para tentar aumentar as vendas, talvez consiga vender mais.

Mas se a margem cair para R$ 5, ele precisará vender três vezes mais para gerar apenas o mesmo resultado de antes.

E isso considerando que todos os demais custos permaneçam estáveis.

Na prática, nem sempre permanecem.

É por isso que faturamento não pode ser confundido com lucro.

A Shopee também está tornando a competição mais sofisticada

O preço continua importante, mas não é o único elemento envolvido na competitividade.

A própria Shopee orienta vendedores a considerar preço, imagem e descrição ao trabalhar a competitividade dos anúncios. A plataforma também disponibiliza métricas como ROAS e ACOS para acompanhar a eficiência dos anúncios.

Isso significa que simplesmente ser o menor preço não resolve necessariamente o problema.

Um produto pode ter uma oferta melhor apresentada.

Uma imagem mais convincente.

Uma descrição mais clara.

Avaliações melhores.

Maior relevância para determinada busca.

Ou uma estratégia de anúncios mais eficiente.

O preço é apenas uma parte da equação.

O desconto deveria ter um objetivo

Existe uma diferença enorme entre baixar o preço porque “todo mundo está vendendo mais barato” e reduzir o preço porque existe uma estratégia.

Um desconto pode ter sentido para:

  • lançar um produto novo;
  • gerar as primeiras avaliações;
  • aumentar conversão de um anúncio;
  • movimentar estoque parado;
  • participar de uma campanha específica;
  • atrair compradores para outros produtos;
  • testar a elasticidade da demanda.

O problema aparece quando o desconto deixa de ser uma ferramenta e vira o posicionamento da loja.

Se o consumidor só compra quando existe promoção, a empresa pode ter criado uma dependência difícil de abandonar.

Existe um preço abaixo do qual competir deixa de fazer sentido

Todo vendedor deveria conhecer seu preço mínimo sustentável.

Não é necessariamente o preço mais baixo praticado pelo concorrente.

É o menor preço pelo qual você consegue vender considerando todos os custos relevantes.

E essa conta precisa incluir muito mais do que o custo de aquisição do produto.

Comissão.

Impostos.

Embalagem.

Frete ou participação no frete, quando aplicável.

Publicidade.

Descontos.

Devoluções.

Trocas.

Perdas.

Custos operacionais.

E, principalmente, a margem que precisa permanecer depois de tudo isso.

Sem essa conta, o vendedor pode estar comemorando vendas que estão consumindo o próprio caixa.

Nem todo produto deve disputar preço

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

Se existem vinte vendedores oferecendo praticamente o mesmo produto, tentar vencer apenas pelo preço pode ser uma disputa difícil de sustentar.

Mas e se o produto puder ser diferenciado?

Kit.

Quantidade maior.

Embalagem melhor.

Atendimento.

Conteúdo.

Fotos mais profissionais.

Descrição mais completa.

Garantia.

Pós-venda.

Marca.

Avaliações.

Curadoria.

Combinação de produtos.

A pergunta muda de:

“Como consigo vender mais barato?”

para:

“Como faço o cliente perceber mais valor?”

Essa segunda pergunta pode abrir espaço para uma margem melhor.

O vendedor também precisa olhar para o custo de aquisição

Imagine que você consiga vender um produto por R$ 50 e seu concorrente venda por R$ 55.

Parece que você está em vantagem.

Mas e se para gerar cada venda você precisar investir muito mais em publicidade?

A diferença de preço pode desaparecer rapidamente.

A própria Shopee recomenda acompanhar ROAS para entender quais palavras-chave estão gerando receita de maneira eficiente em relação ao investimento em anúncios e sugere ajustes de lance conforme o desempenho.

Por isso, preço e mídia não deveriam ser analisados separadamente.

Um preço menor pode melhorar a conversão.

Mas também pode reduzir a margem disponível para financiar aquisição de clientes.

A guerra de preços pode criar um ciclo perigoso

Existe uma armadilha comum nos marketplaces.

O vendedor reduz o preço para vender.

Vende mais.

Percebe que o faturamento aumentou.

Reduz novamente para tentar vender ainda mais.

O volume cresce.

Mas a margem desaparece.

Então precisa aumentar ainda mais o volume para compensar.

O negócio passa a depender de uma quantidade cada vez maior de pedidos para produzir o mesmo resultado financeiro.

Isso pode parecer crescimento.

Mas pode ser apenas uma operação ficando mais pesada.

O melhor preço não é necessariamente o menor

Uma estratégia mais saudável começa por outra pergunta:

Quanto eu preciso ganhar por venda para que esse negócio seja sustentável?

Depois disso, o vendedor pode analisar o mercado.

Se o preço necessário para manter a operação saudável estiver muito acima do praticado pelos concorrentes, talvez o problema não seja simplesmente preço.

Pode estar no custo de compra.

Na logística.

Na escolha do produto.

Na escala.

Na margem.

No posicionamento.

Ou no próprio modelo de negócio.

Baixar o preço pode esconder esses problemas por algum tempo.

Não necessariamente resolvê-los.

Conclusão

Na Shopee, preço competitivo pode ser uma ferramenta poderosa.

Mas transformar o menor preço em estratégia permanente pode colocar o vendedor em uma corrida difícil de vencer.

A plataforma oferece cada vez mais ferramentas de anúncios e automação, enquanto a competição exige atenção não apenas ao preço, mas também à apresentação do produto, relevância e eficiência da operação.

Por isso, antes de perguntar:

“Quanto preciso baixar para aparecer melhor?”

Talvez o vendedor devesse perguntar:

“Quanto posso baixar sem destruir a margem que mantém minha operação viva?”

Porque ganhar posição na Shopee pode ser importante.

Mas conquistar posição vendendo sem lucro não é necessariamente crescimento.

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