Você não precisa de milhões de seguidores para construir um negócio

Durante muito tempo, existia uma regra quase não escrita nas redes sociais: quanto mais seguidores você tivesse, mais relevante você seria.

Marcas disputavam números. Creators exibiam milhões de seguidores. Empresas utilizavam o tamanho da audiência como argumento comercial. E usuários olhavam para aquele número como uma espécie de certificado de autoridade.

Só que as redes mudaram.

Hoje, ter 500 mil seguidores não significa necessariamente que 500 mil pessoas verão uma publicação. Da mesma forma, um perfil com 10 mil seguidores pode alcançar centenas de milhares de pessoas quando um conteúdo é distribuído pelos algoritmos de recomendação.

A pergunta deixou de ser apenas “quantas pessoas seguem você?”

E passou a ser:

“Quantas pessoas realmente prestam atenção no que você publica?”

O algoritmo já não depende apenas dos seguidores

TikTok, Instagram, YouTube e outras plataformas passaram a distribuir conteúdo cada vez mais com base no comportamento individual do usuário.

Isso significa que uma pessoa pode receber um vídeo de alguém que nunca viu antes simplesmente porque o sistema identificou que aquele conteúdo tem potencial de interesse.

Essa mudança enfraquece uma das antigas vantagens de possuir uma grande base de seguidores.

Você não precisa necessariamente ter uma audiência gigantesca para alcançar muita gente.

Precisa produzir algo que as pessoas tenham motivo para assistir.

Seguidores são diferentes de audiência

Esse talvez seja um dos conceitos mais importantes para entender o novo cenário.

Seguidor é uma pessoa que apertou um botão. Audiência é uma pessoa que escolhe prestar atenção.

As duas coisas podem coincidir, mas não são iguais.

Uma conta pode ter milhares de seguidores e praticamente nenhuma influência real sobre eles.

Também pode acontecer o contrário.

Um especialista com uma comunidade pequena pode ter pessoas que acompanham seus conteúdos regularmente, confiam em suas recomendações e compram seus produtos ou serviços.

Nesse caso, a audiência pode valer mais do que o número apresentado no perfil.

O alcance pode ser alugado. O relacionamento, não

Existe outro problema em construir toda uma estratégia baseada apenas em seguidores.

A audiência está dentro da plataforma.

O algoritmo pode mudar.

O alcance pode cair.

Uma tendência pode desaparecer.

Uma rede social pode perder relevância.

Por isso, construir apenas seguidores significa depender constantemente de uma infraestrutura que não pertence ao creator ou à empresa.

Newsletter, comunidade própria, clientes, lista de contatos, site, banco de dados e relacionamento direto são formas de transformar atenção em algo mais duradouro.

Não significa abandonar as redes sociais.

Significa entender que rede social pode ser o canal de descoberta, mas não precisa ser o único lugar onde o relacionamento acontece.

A nova moeda pode ser a atenção

Se seguidores deixam de ser suficientes, o que passa a importar?

Uma das respostas é atenção.

Quanto tempo uma pessoa permanece consumindo seu conteúdo?

Ela assiste até o final?

Volta para assistir novamente?

Compartilha?

Salva?

Comenta?

Procura outros conteúdos seus?

Entra no seu site?

Se inscreve em uma newsletter?

Compra alguma coisa?

Esses comportamentos revelam muito mais sobre a força de uma audiência do que simplesmente o número de seguidores.

Um perfil com 1 milhão de seguidores e baixíssimo envolvimento pode ter menos valor comercial do que uma comunidade muito menor e altamente participativa.

Comunidade pode valer mais do que audiência

Existe ainda uma evolução importante.

Depois da fase dos seguidores, pode surgir uma disputa cada vez maior pela comunidade.

Audiência é quem consome.

Comunidade é quem participa.

Essa diferença muda completamente a relação entre creator, marca e público.

Uma comunidade conversa, compartilha experiências, responde perguntas, recomenda produtos e ajuda a construir a identidade daquele espaço.

É muito mais difícil copiar uma comunidade do que copiar um formato de conteúdo.

E os creators pequenos?

Essa transformação também abre espaço para perfis menores.

Durante muito tempo, grandes marcas procuravam creators principalmente pelo tamanho da audiência.

Agora, métricas como nicho, engajamento, confiança e capacidade de gerar conversão podem ter cada vez mais importância.

Um creator especializado em determinado assunto pode ter uma audiência pequena, mas extremamente relevante para uma empresa.

Isso muda também a lógica de produção de conteúdo.

Não é necessariamente preciso tentar agradar todo mundo.

Pode ser mais interessante ser extremamente relevante para um grupo específico.

O problema de perseguir números

Quando seguidores se tornam o principal objetivo, o conteúdo pode começar a ser produzido para alimentar o número, e não para construir valor.

A consequência aparece em formatos repetitivos, títulos exagerados, tendências copiadas e conteúdos criados exclusivamente para gerar alcance.

O perfil cresce.

Mas o negócio não necessariamente cresce junto.

Esse é um dos maiores perigos da chamada economia da atenção.

Confundir audiência com resultado.

Milhões de visualizações podem impressionar, mas não respondem sozinhas às perguntas mais importantes:

Quem assistiu?

Por que assistiu?

O que fez depois?

Existe confiança?

Existe intenção de compra?

Existe relacionamento?

O futuro não será necessariamente sem seguidores

É importante fazer uma ressalva.

Seguidores não vão desaparecer.

Eles continuam sendo uma métrica útil para entender o tamanho potencial de uma audiência.

O que está mudando é o peso que damos a esse número.

Seguidores podem ser o começo de uma relação, mas não necessariamente são o objetivo final.

A tendência é que marcas e creators precisem olhar para um conjunto muito maior de indicadores: atenção, retenção, compartilhamentos, comunidade, conversão, recorrência e relacionamento.

O número no perfil continua existindo.

Só não conta mais a história inteira.

O que vem depois dos seguidores?

Talvez a próxima fase das redes sociais seja justamente aquela em que qualidade da relação supera quantidade de pessoas.

Seguidores ajudam a construir alcance.

Conteúdo constrói atenção.

Consistência constrói confiança.

E confiança pode construir negócio.

Essa mudança exige uma pergunta diferente para quem produz conteúdo.

Em vez de perguntar apenas:

“Como conseguir mais seguidores?”

Talvez seja mais interessante perguntar:

“Como fazer as pessoas certas quererem continuar comigo?”

Porque, quando todo mundo consegue alcançar milhões, o verdadeiro diferencial pode deixar de ser chegar até as pessoas.

Pode ser fazer com que elas queiram ficar.

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